Acho bem curioso como são criados mitos e coisas sagradas na opinião publica da cidade.
Assim, sempre haviamos ouvido falar muito bem da Cantina Pozzobon, sendo este um restaurante do qual os Santamarienses tem muito orgulho.
Aproveitamos que tinhamos visita e fomos conhecer o restaurante.
Acho tão triste quando a falta de paladar, de capricho, de vocabulário de sabores chega ao ponto lástimavel que se encontra este restaurante...
Fico triste, me sentindo enganada e com pena do dono de um negócio que tem a tamanha ousadia de servir algo tão mal feito, e ainda achar que trabalha no ramo da gastronomia.
Em primeiro lugar a tábua de frios estava OK.
O Pão era muito ruim- não entendo como se importam tanto e desmerecem de tal forma o pão do aperitivo.
Nao havia nenhuma pasta de beringela, pimentão, coisa tão tradicionais da cozinha italiana, cuja tradição eles clamam seguir. Na tábua um queijo branco, salame, uma copa (muito boa) e uma ricota sem nem sequer um tempero.
O suco de uva estava fresco e saboroso.
Após a tábua de frios, serviram a sopa. Creio que era pra ser capeleti in brodo, mas tinha gosto de óleo e sal. Tanto sal que não consegui comer o caldo, apesar de a massa em si estar saborosa.
Agora o drama mesmo foi na chegada do prato principal.
O risotto estava empapado, passado, recozido.
A galinha que nos serviram era apenas ASAS de um frango, requentado.
A salada era meia dúzia de alfaces sem tempero algum e uma maionese. Comida italiana?
Por favor, não subestimem seus clientes...
Ah, tinha também um spageti molenga, com uma colher de molho que parecia um pomarola direto da caixinha.
Fiquei desconcertada e envergonhada de ter levado minhas visitas para almoçar aquele vexame.
Já comi melhor por 6 reais em restaurante de beira de estrada.
Fui na cozinha reclamar que só tinha asa de galinha. A dona se fez de desentendida.
Pedi que suspendessem meu prato, que eu me recusava a comer aquilo.
Do lado de fora do restaurante há uma estufa, abandonada. Não sei se lhes pertence, mas não pude deixar de pensar que incrível poderia ser, se eles plantassem zucchinis frescos para grelhar, temperos verdes para complexificar aqueles pratos insossos que tentavam mascarar a ausencia de sabor com excesso de sal. Não precisava muito, apenas mais capricho, um pouco de interesse e mais delicadeza.
Ah, já falei que o lugar bombava ainda por cima uma música sertaneja intragável?
indigesto é pouco.
Nossa sorte é que o dia abriu tão lindo no meio da tarde, que pudemos reverter a péssima experiencia em um passeio maravilhoso pela região de paisagens tão doces e arcádicas.
Reinventar a Cidade
não tenho medo do interior, gosto de mar, gosto de nova iorque, mas já morei em cidade de 8 mil habitantes e sempre fui muito feliz. Detesto quanto me dizem que eu não deveria ter vindo parar aqui. Já mudei e desmudei, mas chegamos aqui para permanência, portanto respondo:
Deveria sim, e, como em qualquer outro lugar, tem dias que tá tudo errado e tem dias que tá tudo lindo.
Esse não é um blog pessoal, mas com foco na experiência urbana, de infra estrutura e sentimental de uma estrangeira tentando fazer raizes em Santa Maria- sobre as singularidades de estar aqui.
Thursday, April 21, 2011
Monday, March 21, 2011
Onde tem fumaça tem...ondE ???
Estávamos em clima de festa. Fôra aniversário do pequeno e tínhamos familia visitando, dormindo pelo sofá cama, colchões etc.
Todos dormiam quando o alarme de incendio começou a tocar. Minha mãe, que repousava na sala e ouviu primeiro nos explica que já havia falado com os vizinhos no corredor e que estes tinham explicado para que pegássemos documentos importantes e descêssemos.
Entre se enrolar no roupão, juntar pastas e amarrar o sling para carregar o filho, A. lembra que seria providencial telefonar ao corpo de bombeiros.
Nos veio à mente as tantas vezes em que fomos acordados com alarmes de incendio na América do Norte- quase sempre alarme falso, com exceção de uma vez, quando era fogo mesmo- e os bombeiros que não demoravam mais do que quatro minutos para aportar no prédio, com ao menos dois caminhões, em trajes mega protetores e gigantes.
Primeiro demoramos alguns minutos para conseguir achar o telefone de emergencia dos bombeiros. Não, ele não aparece como primeira opção ao googlar: "bombeiros santa maria"
Assim que encontramos ele telefonou e a conversa que sucedeu foi mais ou menos assim:
- Alo, eu gostaria de informar que meu prédio está com algum foco de fogo, o alarme está tocando há uns 10 minutos.
- Ah, tá tocando é? E fica ondE?
- Endereço xxx, numero xxx/
- E ISSO é perto de ondE?
- É na esquina xxx.
- Ah, sei... Mas fica antEs ou depois da igreja?
-(meu senhor, eu deveria estar fugindo... nao dá pra consultar um google maps aí?)
--->Lembrando que vivemos num cruzamento completamente central, em uma rua principal da cidade.<-
hum...sim, é antes da igreja!
- Ah, tá. Mas, e mE diga. É fogo mesmo?
Como assim?? é o meu papel sair procurando o fogo, fazer vistoria no prédio?
- Bom, o alarme está tocando há algum tempo, deve ser!
Nisso abro a porta e percebo a procissão de síndico e moradores, indo DE ELEVADOR, de andar em andar, procurando o fogo.
Gente, pouca prudencia é pouco né?
Logo eles voltaram e nos disseram que não acharam nada, que desligaram o alarme e que, se tocasse de novo, aí sim é porque era fogo.
Voltamos a dormir.
Logo o alarme tocou de novo.
Eu já nem me lembro qual foi a explicação, mas nosso vizinho nos disse que haviam olhado por tudo e não encontraram fogo, portanto, poderiamos voltar a dormir.
E eu me pergunto: e se o foco estivesse dentro de um apartamento?
e se eles abrissem uma porta e levassem uma tremenda chama na carinha?
No dia seguinte o alarme tocou mais uma dezena de vezes e, perigosamente sei agora que quando tocar de novo eu não vou fugir.
Todos dormiam quando o alarme de incendio começou a tocar. Minha mãe, que repousava na sala e ouviu primeiro nos explica que já havia falado com os vizinhos no corredor e que estes tinham explicado para que pegássemos documentos importantes e descêssemos.
Entre se enrolar no roupão, juntar pastas e amarrar o sling para carregar o filho, A. lembra que seria providencial telefonar ao corpo de bombeiros.
Nos veio à mente as tantas vezes em que fomos acordados com alarmes de incendio na América do Norte- quase sempre alarme falso, com exceção de uma vez, quando era fogo mesmo- e os bombeiros que não demoravam mais do que quatro minutos para aportar no prédio, com ao menos dois caminhões, em trajes mega protetores e gigantes.
Primeiro demoramos alguns minutos para conseguir achar o telefone de emergencia dos bombeiros. Não, ele não aparece como primeira opção ao googlar: "bombeiros santa maria"
Assim que encontramos ele telefonou e a conversa que sucedeu foi mais ou menos assim:
- Alo, eu gostaria de informar que meu prédio está com algum foco de fogo, o alarme está tocando há uns 10 minutos.
- Ah, tá tocando é? E fica ondE?
- Endereço xxx, numero xxx/
- E ISSO é perto de ondE?
- É na esquina xxx.
- Ah, sei... Mas fica antEs ou depois da igreja?
-(meu senhor, eu deveria estar fugindo... nao dá pra consultar um google maps aí?)
--->Lembrando que vivemos num cruzamento completamente central, em uma rua principal da cidade.<-
hum...sim, é antes da igreja!
- Ah, tá. Mas, e mE diga. É fogo mesmo?
Como assim?? é o meu papel sair procurando o fogo, fazer vistoria no prédio?
- Bom, o alarme está tocando há algum tempo, deve ser!
Nisso abro a porta e percebo a procissão de síndico e moradores, indo DE ELEVADOR, de andar em andar, procurando o fogo.
Gente, pouca prudencia é pouco né?
Logo eles voltaram e nos disseram que não acharam nada, que desligaram o alarme e que, se tocasse de novo, aí sim é porque era fogo.
Voltamos a dormir.
Logo o alarme tocou de novo.
Eu já nem me lembro qual foi a explicação, mas nosso vizinho nos disse que haviam olhado por tudo e não encontraram fogo, portanto, poderiamos voltar a dormir.
E eu me pergunto: e se o foco estivesse dentro de um apartamento?
e se eles abrissem uma porta e levassem uma tremenda chama na carinha?
No dia seguinte o alarme tocou mais uma dezena de vezes e, perigosamente sei agora que quando tocar de novo eu não vou fugir.
Thursday, February 10, 2011
O coração Bom e a Boca Suja
Contando o causo da peixaria lembramos de outro parecido:
Estávamos caminhando contentes na calçada e veio um carro perpendicularmente sem parar, passando por cima do passeio, saindo de uma garagem, olhando direto só pra rua, para ver se podia entrar.
A moça não deu nem uma paradinha e se jogou, nos fazendo tropeçar no bico do sapato.
Ela estava de vidro aberto e eu lhe chamei a atenção:
-Olhar pro lado ajuda.
Na hora pensei que ela tinha se assustado, porque ouvi um carrgadíssimo:
Vai Tomar no Meio do Teu Cu!
Você pode vir com a desculpa de que gente grossa tem em todo lugar, mas nas 7 cidades que eu já morei antes nunca ninguém me xingou por comentar o preço de uma mercadoria, nem depois de quase ter me atropelado, o que me leva a pensar que os Santa Marienses podem até ter o coração bom, mas a boca é suja como eu nunca antes ouvi.
Estávamos caminhando contentes na calçada e veio um carro perpendicularmente sem parar, passando por cima do passeio, saindo de uma garagem, olhando direto só pra rua, para ver se podia entrar.
A moça não deu nem uma paradinha e se jogou, nos fazendo tropeçar no bico do sapato.
Ela estava de vidro aberto e eu lhe chamei a atenção:
-Olhar pro lado ajuda.
Na hora pensei que ela tinha se assustado, porque ouvi um carrgadíssimo:
Vai Tomar no Meio do Teu Cu!
Você pode vir com a desculpa de que gente grossa tem em todo lugar, mas nas 7 cidades que eu já morei antes nunca ninguém me xingou por comentar o preço de uma mercadoria, nem depois de quase ter me atropelado, o que me leva a pensar que os Santa Marienses podem até ter o coração bom, mas a boca é suja como eu nunca antes ouvi.
Wednesday, February 9, 2011
A Truta- uma peixaria com atendimento peculiar
Ao levar seu filho na escola, eu, moça que aprecia enormemente os pequenos comércios, que tem prazer imenso em virar amiga do quitandeiro, do açogueiro e do peixeiro- sem exatamente um interesse em receber tratamento especial, mas em apenas ter o privilégio de usufruir do contato humano nestas transações de pequenas necessidades cotidianas- percebi ter ali, logo na esquina da minha casa, uma lojinha bonitinha, conjugada, onde se lê:
A TRUTA- peixaria e Carnes Finas, logo ao lado.
Ah que alegria imensa! Passei diversos dias me imaginando tendo acesso a cortes gauchíssimos do mais contente dos filés-mignons, e, a peixes digníssimos de qualquer costa brasileira.
Então hoje, aproveitando o horário de almoço, fui lá, com a intenção de trazer um bom pedaço de osso bucco, um naquinho de mignon e alguns peixes para acariciar os estômagos em fim de dia.
A loja é bonitinha, mas logo de cara uma má impressão:
Tudo em freezeres brancos.
Alimento assim em meio à assepsia não me apetece muito.
Ainda mais carnes. Coisa morta tem que se olhar pra ver se vale a pena.
Mas fui conversando com a dona, querendo descobrir afinal preciosidades-delícias que me valessem estar ali, e a troca de meus suados tostões.
Logo descobri que ela só vende congelados.
Dos peixes jamais esperara outra coisa, mas das carnes?
Como pode uma carne fina ter sido congelada?
E o que é pior, ela me confessou que ainda quando chegavam descongeladas ela congelava de novo.
ECA, eu pensei.
Desisti das carnes e fui aos peixes.
Pedi licensa, disse que gostava de ver e perguntei do atum. Ela só vendia um pedaço enorme, congelado.
Sério, dava pra servir umas 20 pessoas, praticamente 5 famílias.
Gente, alimento foi feito pra ser manipulado, pra gente pedir:
ô corta da grossura tal, moço! Limpa pra mim! ou ainda Limpa não que hoje eu tô pra diversão!
Aquele trabuco rígido, será que dava caldo? E atum congelado é praticamente pior do que atum em lata, né?
Fui olhando e me assustando com os preços.
O bacalhau, que normalmente compro por cerca de 60 reais o K, ali custava 160. GENTE, não é só digitos duplos, é centoesessenta paus.
Fui pras iguarias, que ela vendia a mesma marca que eu comprava na minha cidade litorânea, aqueles medalhões de haddock. Ela vendia por 4 vezes o preço que eu pagava. Não tem gasolina que explique.
Já que estava conversando, e deus sabe como estou de bom humor hoje!- comentei com a senhora o preço que pagava naquele mesmíssimo produto, sem tom de cobrança nem desconfiança, mas imaginando que o distribuidor deveria estar levando horrores ali naquela entrega.
Sabem o que ela fez? Do nada?
Me mandou à merda.
Meu susto foi tamanho que cheguei a tirar meu sombreiro, em um gesto quase caubói, e dizer-lhe:
-Senhora, me perdoe se de alguma forma eu lhe ofendi, mas de maneira alguma foi essa minha intenção. Eu estava muito feliz em saber que ao lado da minha casa tenho uma peixaria e estou conhecendo os seus produtos e suas ofertas. Me desculpe.
A véia foi pra trás do balcão e continuou a resmungar : nem se comoveu.
Eu, ao sair, ainda pedi-lhe desculpas mais uma vez e lhe desejei-lhe um bom dia.
ao eu que ela respondeu:
-À você nem tanto.
agora que meu susto passou, posso desabafar?
SENHORA DONA DA PEIXARIA TRUTA DE SANTA MARIA,
ESPERO QUE OS TEUS PEIXES APOREÇAM.
------
on another note, registro que comprei peixes muito, muito decentes no BIG, incluindo um salmão, que não é de longe meu preferido, mas que estava bem embalado e extremamente saboroso, como há muito eu não via, e também um Pirarucu da Amazônia que ficou incrível só com limão, alho azeite e verdes no forno.
No fim das contas não tenho como reclamar de barriga cheia!
A TRUTA- peixaria e Carnes Finas, logo ao lado.
Ah que alegria imensa! Passei diversos dias me imaginando tendo acesso a cortes gauchíssimos do mais contente dos filés-mignons, e, a peixes digníssimos de qualquer costa brasileira.
Então hoje, aproveitando o horário de almoço, fui lá, com a intenção de trazer um bom pedaço de osso bucco, um naquinho de mignon e alguns peixes para acariciar os estômagos em fim de dia.
A loja é bonitinha, mas logo de cara uma má impressão:
Tudo em freezeres brancos.
Alimento assim em meio à assepsia não me apetece muito.
Ainda mais carnes. Coisa morta tem que se olhar pra ver se vale a pena.
Mas fui conversando com a dona, querendo descobrir afinal preciosidades-delícias que me valessem estar ali, e a troca de meus suados tostões.
Logo descobri que ela só vende congelados.
Dos peixes jamais esperara outra coisa, mas das carnes?
Como pode uma carne fina ter sido congelada?
E o que é pior, ela me confessou que ainda quando chegavam descongeladas ela congelava de novo.
ECA, eu pensei.
Desisti das carnes e fui aos peixes.
Pedi licensa, disse que gostava de ver e perguntei do atum. Ela só vendia um pedaço enorme, congelado.
Sério, dava pra servir umas 20 pessoas, praticamente 5 famílias.
Gente, alimento foi feito pra ser manipulado, pra gente pedir:
ô corta da grossura tal, moço! Limpa pra mim! ou ainda Limpa não que hoje eu tô pra diversão!
Aquele trabuco rígido, será que dava caldo? E atum congelado é praticamente pior do que atum em lata, né?
Fui olhando e me assustando com os preços.
O bacalhau, que normalmente compro por cerca de 60 reais o K, ali custava 160. GENTE, não é só digitos duplos, é centoesessenta paus.
Fui pras iguarias, que ela vendia a mesma marca que eu comprava na minha cidade litorânea, aqueles medalhões de haddock. Ela vendia por 4 vezes o preço que eu pagava. Não tem gasolina que explique.
Já que estava conversando, e deus sabe como estou de bom humor hoje!- comentei com a senhora o preço que pagava naquele mesmíssimo produto, sem tom de cobrança nem desconfiança, mas imaginando que o distribuidor deveria estar levando horrores ali naquela entrega.
Sabem o que ela fez? Do nada?
Me mandou à merda.
Meu susto foi tamanho que cheguei a tirar meu sombreiro, em um gesto quase caubói, e dizer-lhe:
-Senhora, me perdoe se de alguma forma eu lhe ofendi, mas de maneira alguma foi essa minha intenção. Eu estava muito feliz em saber que ao lado da minha casa tenho uma peixaria e estou conhecendo os seus produtos e suas ofertas. Me desculpe.
A véia foi pra trás do balcão e continuou a resmungar : nem se comoveu.
Eu, ao sair, ainda pedi-lhe desculpas mais uma vez e lhe desejei-lhe um bom dia.
ao eu que ela respondeu:
-À você nem tanto.
agora que meu susto passou, posso desabafar?
SENHORA DONA DA PEIXARIA TRUTA DE SANTA MARIA,
ESPERO QUE OS TEUS PEIXES APOREÇAM.
------
on another note, registro que comprei peixes muito, muito decentes no BIG, incluindo um salmão, que não é de longe meu preferido, mas que estava bem embalado e extremamente saboroso, como há muito eu não via, e também um Pirarucu da Amazônia que ficou incrível só com limão, alho azeite e verdes no forno.
No fim das contas não tenho como reclamar de barriga cheia!
Saturday, January 29, 2011
De Volta
um dia esse blog será de dicas, de ensaios sobre uma cidade que eu conheço bem.
Por enquanto eu é quem saio vasculhando os cantos, para encontrar-me em um novo tecido urbano, que me é ora simpático, ora irritantemente confuso, por uma frouxidão e ineficiência quase insuportáveis.
Esta é a Santa Maria que eu reinvento diariamente.
A cidade do meu avô.
A vila que recebeu meus bisvós imigrantes judeus que fugiam de um mundo de escassez e perseguição.
Por enquanto eu é quem saio vasculhando os cantos, para encontrar-me em um novo tecido urbano, que me é ora simpático, ora irritantemente confuso, por uma frouxidão e ineficiência quase insuportáveis.
Esta é a Santa Maria que eu reinvento diariamente.
A cidade do meu avô.
A vila que recebeu meus bisvós imigrantes judeus que fugiam de um mundo de escassez e perseguição.
Thursday, November 25, 2010
Sofismos
Será que existe esse verbo?
Pois esse foi meu sport favorito nos últimos dias.
Eis que se deixa o filho com a avó, parte-se rumo ao desconhecido para ficar batendo perna (diga-se de passagem, todos os dias com o mesmo sapato que, ainda que sem salto, não era assim um super ténis para aguentar todo o tranco e os 60 quilos sobre os calcanhares) em busca de armários de cozinha, sofá, roupeiros- que compunham nosso kit básico de sobrevivência na cidade nova.
Concentre-mo-nos somente no sofá.
Camarido tinha visto um antes de minha chegada e logo avisou:
-Achei um sofá lindo, mas é um pouco caro. Me parece ser um sofá pra 'toda vida'.
Fomos na loja direto. Vi. Gostei. Mas achei caro e resolvemos continuar a busca.
Cinco dezenas de lojas populares depois, 34 modelos de sofás que se assemelhavam ao que tinha minha avó no fim dos anos 80'…encontramos uma loja com um cinza igual aquele que tinha gostado Camarido.
O que eles tinham pronta entrega era em outras dimensões: muito grande.
Diga-se de passagem que nessa loja tinha um sofá INCRIVEL, que nos apaixonamos. Assim, se você gosta muito de design e conforto e tem 9 mil reais pra dar num sofá, vá directo à Bella Casa. Vou voltar lá pra tirar uma foto, se elas me permitire, mas o bichinho era composto nos assentos de 3 almofdões para cada lugar do sofá. Todos bem rígidos e sobrepostos em cores de azul suavíssimo. Os encostos bem clean também de almofades. Aquilo teria sido um sucesso, mas eram praticamente duas mãos cheias de dedos de mil reais e esse preço não estávamos nem sonhando em pagar.
No mesmo tamanho e na faixa de preço que buscávamos eles tinham um preto, pouco mais de 200 paus mais barato do que aquele primeiro de todos.
A vendedora, bastante assanhada, nos ofereceu para levarmos como ' teste', pagando apenas o frete de 30 pila. Entregariam na mesmíssima hora.
Preferimos perder contos do que algumas centenas, e ficar com um troço desgostoso alisando nossos traseiros nas noites de novela. Topamos.
Logo chegaram os carregadores.
Vale dizer que o pessoal foi bem cuidadoso no transporte. Analisaram, viram que seria necessário desmontar o sofá e o fizeram com precisão. Entraram sem um dos braços e logo remontaram tudo. Colocamos de um lado, colocamos do outro e aquele volume imenso de preto não parecia exactamente correto.
Bom, teríamos toda a noite para pensar ainda, mas, eis que, quando estavam todos de saída eu reparo no santinho um rasgão. Como o tecido era "chimile" (ou seria xinxilha?), um rasgo de poucos centímetros logo se esgarçava de forma praticamente pornográfica na parte de trás do estofado.
Saí feito doida chamando a vendedora, que ainda estava aguardando o elevador pra ir pra casa e apontei o crime.
Assim, combinamos que ela falaria com a "chefe" e que, no dia seguinte nos daria uma posição sobre o reparo.
Veio a noite.
O sofá era super confortável, mas comecei a achar que aquele preto seria um fundo terrível para farelos de biscoito de criança de 3 anos…
Dormi no dito cujo (que o pessoal da loja não leia este post!) e estendido, como cama ele se prestou super bem às suas funções.
A gente até começou a gostar do bichinho e criar apreço por sua negrura.
E veio o dia.
E com ele muita chuva e meus pés molhados, naquele único sapato, andando por todos os cantos tentando alcançar o quanto possível para ajustar nossa chegada final.
FInalmente, quando já era fim da tarde fui até a loja do sofá preto.
Nossa decisão era ficar com ele, desde que obtivéssemos alguma compensação da loja pelo rasgo, afinal estávamos comprando um produto danificado.
Confesso que não tinha ideia o que solicitar, mas que poderia ser até um outro produto: almofadas, estatuazinha, sei lá eu!
A vendedora se fez de irredutível: o preço era o mesmo, mas eles reparariam, mandariam cerzir o rasgo.
Tive um rompante: por 200 paus mais caro teria um sofá da cor que queríamos e sem rasgo.
Confirmei com o Camarido que me deu o kick : devolve!
Assim foi decidido- Pode mandar recolher.
Saí feito doida pra dar tempo de pegar a outra loja ainda aberta, fechar o negócio e não perder meu ónibus de volta.
O cinza, aquele primeiro de todos realmente tinha um tecido bem mais bonito e até resistente do que o outro.
YOHOO!
Pois esse foi meu sport favorito nos últimos dias.
Eis que se deixa o filho com a avó, parte-se rumo ao desconhecido para ficar batendo perna (diga-se de passagem, todos os dias com o mesmo sapato que, ainda que sem salto, não era assim um super ténis para aguentar todo o tranco e os 60 quilos sobre os calcanhares) em busca de armários de cozinha, sofá, roupeiros- que compunham nosso kit básico de sobrevivência na cidade nova.
Concentre-mo-nos somente no sofá.
Camarido tinha visto um antes de minha chegada e logo avisou:
-Achei um sofá lindo, mas é um pouco caro. Me parece ser um sofá pra 'toda vida'.
Fomos na loja direto. Vi. Gostei. Mas achei caro e resolvemos continuar a busca.
Cinco dezenas de lojas populares depois, 34 modelos de sofás que se assemelhavam ao que tinha minha avó no fim dos anos 80'…encontramos uma loja com um cinza igual aquele que tinha gostado Camarido.
O que eles tinham pronta entrega era em outras dimensões: muito grande.
Diga-se de passagem que nessa loja tinha um sofá INCRIVEL, que nos apaixonamos. Assim, se você gosta muito de design e conforto e tem 9 mil reais pra dar num sofá, vá directo à Bella Casa. Vou voltar lá pra tirar uma foto, se elas me permitire, mas o bichinho era composto nos assentos de 3 almofdões para cada lugar do sofá. Todos bem rígidos e sobrepostos em cores de azul suavíssimo. Os encostos bem clean também de almofades. Aquilo teria sido um sucesso, mas eram praticamente duas mãos cheias de dedos de mil reais e esse preço não estávamos nem sonhando em pagar.
No mesmo tamanho e na faixa de preço que buscávamos eles tinham um preto, pouco mais de 200 paus mais barato do que aquele primeiro de todos.
A vendedora, bastante assanhada, nos ofereceu para levarmos como ' teste', pagando apenas o frete de 30 pila. Entregariam na mesmíssima hora.
Preferimos perder contos do que algumas centenas, e ficar com um troço desgostoso alisando nossos traseiros nas noites de novela. Topamos.
Logo chegaram os carregadores.
Vale dizer que o pessoal foi bem cuidadoso no transporte. Analisaram, viram que seria necessário desmontar o sofá e o fizeram com precisão. Entraram sem um dos braços e logo remontaram tudo. Colocamos de um lado, colocamos do outro e aquele volume imenso de preto não parecia exactamente correto.
Bom, teríamos toda a noite para pensar ainda, mas, eis que, quando estavam todos de saída eu reparo no santinho um rasgão. Como o tecido era "chimile" (ou seria xinxilha?), um rasgo de poucos centímetros logo se esgarçava de forma praticamente pornográfica na parte de trás do estofado.
Saí feito doida chamando a vendedora, que ainda estava aguardando o elevador pra ir pra casa e apontei o crime.
Assim, combinamos que ela falaria com a "chefe" e que, no dia seguinte nos daria uma posição sobre o reparo.
Veio a noite.
O sofá era super confortável, mas comecei a achar que aquele preto seria um fundo terrível para farelos de biscoito de criança de 3 anos…
Dormi no dito cujo (que o pessoal da loja não leia este post!) e estendido, como cama ele se prestou super bem às suas funções.
A gente até começou a gostar do bichinho e criar apreço por sua negrura.
E veio o dia.
E com ele muita chuva e meus pés molhados, naquele único sapato, andando por todos os cantos tentando alcançar o quanto possível para ajustar nossa chegada final.
FInalmente, quando já era fim da tarde fui até a loja do sofá preto.
Nossa decisão era ficar com ele, desde que obtivéssemos alguma compensação da loja pelo rasgo, afinal estávamos comprando um produto danificado.
Confesso que não tinha ideia o que solicitar, mas que poderia ser até um outro produto: almofadas, estatuazinha, sei lá eu!
A vendedora se fez de irredutível: o preço era o mesmo, mas eles reparariam, mandariam cerzir o rasgo.
Tive um rompante: por 200 paus mais caro teria um sofá da cor que queríamos e sem rasgo.
Confirmei com o Camarido que me deu o kick : devolve!
Assim foi decidido- Pode mandar recolher.
Saí feito doida pra dar tempo de pegar a outra loja ainda aberta, fechar o negócio e não perder meu ónibus de volta.
O cinza, aquele primeiro de todos realmente tinha um tecido bem mais bonito e até resistente do que o outro.
YOHOO!
Tuesday, November 23, 2010
DIA 1
Dá pra sentir vergonha de si mesmo?
Sempre é aquele drama achar diarista, que seja na sua cidade- quiçá em cidade nova!
A moça veio aqui, como não temos ainda nada em casa, deixei-a sozinha e fui correr atrás da vida.
Tudo certo na volta, casa limpinha, cheirosa: tchau fincionária, até mês que vem.
Eis que de noite resolvemos instalar as lâmpadas faltantes e quem diz que encontramos o saco cheio de lâmpadas?
Gente, imaginem só: um apartamento vazio, a única coisa que tinhamos era o maldito saco de lâmpadas.
Olhamos por tudo e NADA!
Finalmente arrisquei:
-Será que a moça roubou meu saco de lâmpadas?
Será que ela é doente e trocou um emprego por um saco de lâmpadas?
Não sei se foi o cansaço ou o trauma de quem já teve coisas bizarras roubadas por diaristas (tipo TODOS nossos cobertores- o que só nos demos conta no inverno...), o medo de ser ingênua, a desconfiança de ser estrangeiro...Mas eu não podia acreditar naquela situação.
E, claro, depois de 10 minutos, revirei os lixos e achei o saco de lâmpadas que a moça tinha, por engano jogado fora.
Sempre é aquele drama achar diarista, que seja na sua cidade- quiçá em cidade nova!
A moça veio aqui, como não temos ainda nada em casa, deixei-a sozinha e fui correr atrás da vida.
Tudo certo na volta, casa limpinha, cheirosa: tchau fincionária, até mês que vem.
Eis que de noite resolvemos instalar as lâmpadas faltantes e quem diz que encontramos o saco cheio de lâmpadas?
Gente, imaginem só: um apartamento vazio, a única coisa que tinhamos era o maldito saco de lâmpadas.
Olhamos por tudo e NADA!
Finalmente arrisquei:
-Será que a moça roubou meu saco de lâmpadas?
Será que ela é doente e trocou um emprego por um saco de lâmpadas?
Não sei se foi o cansaço ou o trauma de quem já teve coisas bizarras roubadas por diaristas (tipo TODOS nossos cobertores- o que só nos demos conta no inverno...), o medo de ser ingênua, a desconfiança de ser estrangeiro...Mas eu não podia acreditar naquela situação.
E, claro, depois de 10 minutos, revirei os lixos e achei o saco de lâmpadas que a moça tinha, por engano jogado fora.
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