não tenho medo do interior, gosto de mar, gosto de nova iorque, mas já morei em cidade de 8 mil habitantes e sempre fui muito feliz. Detesto quanto me dizem que eu não deveria ter vindo parar aqui. Já mudei e desmudei, mas chegamos aqui para permanência, portanto respondo:
Deveria sim, e, como em qualquer outro lugar, tem dias que tá tudo errado e tem dias que tá tudo lindo.
Esse não é um blog pessoal, mas com foco na experiência urbana, de infra estrutura e sentimental de uma estrangeira tentando fazer raizes em Santa Maria- sobre as singularidades de estar aqui.

Tuesday, November 23, 2010

DIA 1

Dá pra sentir vergonha de si mesmo?
Sempre é aquele drama achar diarista, que seja na sua cidade- quiçá em cidade nova!
A moça veio aqui, como não temos ainda nada em casa, deixei-a sozinha e fui correr atrás da vida.
Tudo certo na volta, casa limpinha, cheirosa: tchau fincionária, até mês que vem.
Eis que de noite resolvemos instalar as lâmpadas faltantes e quem diz que encontramos o saco cheio de lâmpadas?
Gente, imaginem só: um apartamento vazio, a única coisa que tinhamos era o maldito saco de lâmpadas.
Olhamos por tudo e NADA!
Finalmente arrisquei:
-Será que a moça roubou meu saco de lâmpadas?
Será que ela é doente e trocou um emprego por um saco de lâmpadas?
Não sei se foi o cansaço ou o trauma de quem já teve coisas bizarras roubadas por diaristas (tipo TODOS nossos cobertores- o que só nos demos conta no inverno...), o medo de ser ingênua, a desconfiança de ser estrangeiro...Mas eu não podia acreditar naquela situação.
E, claro, depois de 10 minutos, revirei os lixos e achei o saco de lâmpadas que a moça tinha, por engano jogado fora.

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